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Câmera Municipal de Diadema Estado de São Paulo

Requerimento N° 1.024/09
Requeiro à Douta Presidência desta Casa de Leis em conformidade com os termos regimentais, que seja registrada na ata da presente sessão um VOTO DE CONGRATULAÇÃO à UNE – União Nacional dos Estudantes , pela realização de um ato de protesto, no último dia 09 de novembro , em frente a Uniban, contra a expulsão da estudante de Turismo, Geisy Arruda daquela Instituição .

Requeiro, ainda, que cópias da presente propositura sejam encaminhadas ás seguintes autoridades e entidades: Uniban, União Nacional dos Estudantes, Ministério da Educação, Ordem dos Advogados do Brasil, Ministério Público Federal e Movimento da Marcha Mundial das Mulheres.

JUSTIFICATIVA

A Uniban divulgou nota, na tarde da última segunda feira,9, na qual informa que revogou a expulsão da aluna Geyse Arruda. A decisão de voltar atrás ocorreu depois da repercussão negativa da expulsão da aluna, que foi questionada pela OAB e pelo Ministério Público Federal.
O texto, lacônico, afirma apenas que o reitor revogou decisão de Conselho Universitário da Uniban e que, com isso “dará melhor encaminhamento à decisão”.
Na noite da última segunda feira, a União Nacional dos Estudantes (UNE) realizou um protesto em frente à Uniban contra a expulsão de Geyse. Integrantes de diversos movimentos sociais também compareceram ao protesto em frente à universidade.
A manifestação foi atacada por alguns alunos que, do lado de dentro do campus, vaiaram e exigiam que os manifestantes fossem retirados da rua diante da Universidade. Nenhum conflito foi registrado.
No domingo dia 08, o presidente da UNE, Augusto Chagas, afirmou que a decisão de expulsar a aluna era descabida, e completou: “É como nos casos que se responsabiliza a vítima de um assalto por estar segurando a carteira, ou se diz que uma mulher é culpada quando sofre um assédio ou abuso por causa da sua roupa. Isso nos parece lamentável.”
O movimento Marcha Mundial das Mulheres presentes na manifestação, distribuiu um panfleto denunciando a violência. “Nos manifestamos hoje para denunciar a violência sexista e a cumplicidade da universidade frente à este caso. A decisão da Uniban de expulsar a estudante contribuiu para banalizar, estimular e justificar a violência dentro da universidade e fora dela” , diz o manifesto.
Geisy foi xingada e ameaçada fisicamente nos corredores da Universidade, no último dia 22 de outubro, por usar um vestido rosa, considerado “imoral” segundo alguns universitários e “absolutamente normal” por outros. Geisy foi proibida de freqüentar as aulas e, no último fim de semana, foi expulsa da Uniban.
A reitoria da Universidade revogou a decisão do conselho universitário que expulsou a aluna, depois que o Ministério Público Federal em São Paulo instaurou Inquérito Civil Público para apurar os detalhes da expulsão. O intuito do MP era saber se a estudante teve o devido direito de defesa garantido. Outro inquérito será aberto pela Policia Civil de São Bernardo do Campo para apurar crime de injúria contra a estudante, de acordo com a Delegacia de Defesa da Mulher do ABC paulista.
O ministério da Educação também deu prazo de dez dias para que a Uniban explique o caso, já que a expulsão da aluna foi divulgada por meio de anúncio da universidade em jornais de São Paulo, no último domingo. Segundo a Acessória de Imprensa da Secretária de Educação Superior do MEC, a notificação será entregue esta semana á Universidade. Se as explicações não forem satisfatórias, deve ser aberto um processo de supervisão especial para avaliar se a aluna teve direito de defesa.
De acordo com o procurador-regional dos Direitos do Cidadão do Estado de São Paulo, Jefferson Aparecido Dias, que conduz a investigação , o objetivo do inquérito do MP é investigar se foi adotado o devido processo legal e respeitados os princípios do contraditório e da ampla defesa e se a Uniban agiu de forma discriminatória.
“O que se espera de uma universidade é que ela tenha condições de forma cidadãos. No presente caso, é bastante preocupante a postura da Uniban,que pode indicar que ela não está preocupada com essa formação integral. Além disso, aparentemente, a vítima foi transformada em culpada sem que tivesse a condição de expor sua versão dos fatos”, disse.
O presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, Cezar Britto, também comentou a expulsão. Segundo ele, o gesto consagra “uma mentalidade obscurantista e nefasta, que há muito se supunha extinta deste país”.

Sala das Sessões,12 de novembro de 2009-11-12

Vereador Laércio Soares
(PCdoB)

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